Marchezan admite que sabia que prefeitos não podem pedir Exército

O prefeito Nelson Marchezan disse, em entrevista à Rádio Guaíba, que o pedido pela colocação do Exército nas ruas de Porto Alegre em 24 de janeiro, quando acontece o julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, não se trata de um ato político ou de alguma desavença com a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP).
De acordo com Marchezan, a medida serviu para marcar um posicionamento. O tucano garantiu que tinha conhecimento de que a convocação das Forças Armadas é prerrogativa exclusiva dos governadores. “Claro que a prerrogativa é do governo do Estado, que é quem tem a responsabilidade de garantir a segurança através da Brigada Militar e realizar investigações com a Polícia Civil”, afirmou. Ele também negou atrito com a SSP: “Não há nenhuma desavença com o governo do Estado ou com o secretário (estadual da Segurança) Cezar Schirmer. Pelo contrário, temos total confiança no trabalho dele e nossa relação é muito boa”.
O prefeito argumentou que a solicitação encaminhada para o Ministério da Defesa busca garantir “os direitos fundamentais de 1,5 milhão de porto-alegrenses”. “Um direito fundamental (de manifestação) não se sobrepõe a outro. Fizemos esse pedido para mostrar nosso posicionamento que é de manutenção da ordem, respeito às instituições e manutenção da integridade dos servidores federais, municipais e pedestres que estejam na região”, alegou. “Não podia, como prefeito, aceitar calado estas pessoas falarem em vir para luta sem tomar uma atitude para garantir os direitos fundamentais dos moradores de Porto Alegre”, completou.
Além disso, Marchezan disse que a Prefeitura de Porto Alegre não se manifestou acerca do Comitê de Crise montado pela Secretaria Estadual da Segurança, e que tomou a decisão dentro do âmbito do município, onde um grupo mais amplo, incluindo a EPTC e a Guarda Municipal, vem acompanhando a movimentação de ativistas para o dia do julgamento.