Câmara de Porto Alegre: para projetos polêmicos, Nagelstein defende exaurir discussões

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre empossou Valter Nagelstein (PMDB) como presidente da Casa, na tarde desta quarta-feira. A partir de 1º de fevereiro, ele vai ter o poder de ditar o ritmo de discussão e votação de projetos de interesse do Executivo. O peemedebista promete seguir o rito regimental da Casa e garante que não vai aceitar a “interferência” da Prefeitura sobre a atividade dos vereadores.
Parlamentar mais votado do PMDB nas últimas eleições, ele votou contra uma das principais propostas do governo de Nelson Marchezan Júnior (PSDB): a revisão da planta do IPTU de Porto Alegre. Nagelstein disse o projeto vai ser colocado em votação, mas não sem antes ser exaurida a discussão a respeito de como muda a cobrança do imposto. Com isso, ele sinaliza que audiências públicas devem pautar todos os temas na Casa.
“Parte da polêmica relativa a esse assunto se deu por conta da falta de discussão em 2017. Então para evitar que o cidadão recebesse uma surpresa indigesta no final do ano, resolvemos que era necessário realizar uma discussão maior, bairro a bairro, acerca do tema”, disse.
Em discurso na tribuna, o prefeito Nelson Marchezan voltou a apelar aos vereadores para que pautas polêmicas, envolvendo mudanças nas carreiras dos servidores e no transporte público, a autorização para realização de Parcerias Públicos-Privadas (PPPs) e a revisão da planta do IPTU, sejam levadas a votação. “Somente reformas estruturantes poderão mudar a realidade da cidade no médio e longo prazo”, defendeu.
Nagelstein disse concordar com reformas nas carreiras do funcionalismo. “Não acho que se deva demonizar o serviço público, mas os privilégios precisam ser demonizados, sim. Não penso que para sair da crise é preciso desmanchar o serviço público. O servidor não tem reajuste automático como pode parecer, mas a reposição da inflação assim como qualquer profissão. Por outro lado, isso não quer dizer que não precisamos aumentar – e muito – a qualidade do serviço que é prestado ao cidadão porto-alegrense”, disse.
Já a oposição promete manter uma relação diplomática com a nova gestão através de uma espécie de “pacto” em relação a pautas de interesse comum aos vereadores oposicionistas e do bloco independente, ao qual pertence a bancada do PMDB. “Vamos buscar acordo para votar questões que nos aproximam, não as que nos afastam. O objetivo é garantir que a população tenha direito a opinar, de participar das decisões. Que não se subtraia o direito das pessoas de definirem como será feito o orçamento da cidade”, disse a vereadora Sofia Cavedon (PT).